Soneto de Minh’alma

Ah… Como foi triste a depedida!!
Como é calorosa a lembrança,
Que, da última casa amiga,
Carregamos em esperança…

Ah… Como foi amargo o sabor!!
Quão irritante a ansiedade!!
E mesmo com todo o possível torpor
Ainda nos abatia o peito a saudade…

Meus Irmãos, os Sábios, me falaram:
“Estamos com um peso na alma…”
Muitos “Cururus” se passaram,

E agora o que me resta é uma nostalgia calma…
Os anjos um Sábio lá deixaram,
Nossa, que saudade do Djalma!!

Noit’alogo

Que mal é este que me dilacera o peito?

É a saudade…

Saudade do que exatamente?

Do que ficou para trás…

E o que é que ficou para trás e me é saudoso, assim, repentinamente, coisa que antes eu não estava sentindo?

É do “novo passado”, aquele que ainda habita seu coração e sua mente…

Que “novo passado” é esse?

É a sua lembrança mais nova, essa da viagem…

Ah… Entendo… Mas eu estou com saudade da viagem então?

Mais ou menos…

Como assim?

Mais saudade dos Irmãos, menos saudade da viagem…

Nossa… Agora assimilei… Mas ainda estou confuso: por qual razão esta saudade, que você diz, me dilacera?

É você quem deve dizer…

Mas eu estou perguntando para você, caralho!!!!

Certo… Vejamos: você viajou com os dois Poetas-Filósofos-Malditos, não foi?

Maldito é a puta que te pariu!!!

Foi um elogio…

Ah… Me desculpe… Sim!

Então é simples: você está sentindo falta deles…

Mas eu já sentia, normamente!

E você ainda acha que entende das coisas??? Você não estava com uma sensação de despedida?

Estou ainda… Mas agora ela parece ter ficado mais suportável…

Mas você é um idiota mesmo… Ela está diminuindo, ou está se transformando em algo mais?

Ahhhhh… Você é bom!!

Não, você que é meio lento…

Não força…

Você entendeu?

Sim… Mas isso não quer dizer que eu tenha assimilado…

Certo… Preste atenção: você os amava, e agora os ama mais, e não por eles terem te assediado, e vice-versa, mas sim por você estar mais conectado a eles do que nunca… Vocês são assim, Chiari… Amam mais sempre… Você sabe… E por adição, sua admiração por eles é tão grande, que mesmo que você tivesse que viver em São Thomé, ou, na versão menos complicada, no inferno, somente para estar próximo dos Sábios, tenho certeza que nós já estaríamos lá…

Assimilei… Mas afinal, quem é você?

Muito prazer, eu sou o seu “super-consciente”!

Digerindo

Os motivos, razões, para acordar pela manhã, de todo o universo, dos mistérios, de Deus, dos versos, dos amores, resumido a um cigarro…

Um mais um

“(…) Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Caucado da revalorização da natureza morta. (…)”

Bienal do Mercosul 2007

Zeca Baleiro – Bienal

 

Tanta coisa inventada, pintada, cantada, escrita, lida, coisada,

E tudo, por mais exposto que seja, não expõe nada!

Séculos e homens, descobertas do milênio…

Belinismo, extemporâneo, fantástico, está chegando, mesmo depois de já estar por aqui passando…

Acautelai-vos, homens de pouca fé, homens de muita fé, objeto da fé, Praça da Sé!!!

Não há, não houve e não haverão, lugares seguros, redenção…

 

 

Reticente

“Auto-amor”, alvorada anímica…
Bondoso, bendito, benévolo…
Carismático com cautela…
Dentes desafiadores destilando desejo…
Estupefação estúpida em espera…
Fácil felicidade fecunda…
Grandes gestos gozados…
Hilariante híbrido homúnculo…
Idiiota indecente infeliz…
Jaz junto jantando…
Limões… ligados lânguidos…
Mocó montado montando…
Nariz navio nave nova…
Opressão omissa ouço…
Pedinte pedante pedindo…
Quer queixar-se quizilando…
Rabudo retardado reticente…
Sabendo subir saudoso…
Tendo tudo transformado…
Um uivando urros…
Viram voltar vomitando…
Xiste…
Zebrado…

Descarga!

Mais alguns meses, e pronto…
Semanas que passarão como o maldito trago no cigarro amigo…
Umas horas, talvez, e tonto…
Uns tragos da amarga ardente água na goela, na moela…
Um sonho e tanto!!
Que desgraça acompanha meus passos?
Ou seriam meus passos que acompanham a desgraça?
Ou será a desgraça meu calçado?
Ou, ainda, a calçada acompanada pelo descalço no encalço da maldadita travestida?
Rimas confusas, versos difusos…
Sonoros, sim!!
Saudosos também…
“Mentira vestida de setim”? Não sei, talvez sim…
Rindo ao amigo, amigável espanto.
Que sonho é esse de sempre em pranto, tanto quanto o cego sente mais pelos quatro…
Mas, mesmo disfarçando, continua sem o quinto??
Eros é um erro? Não… Eros se foi há eras… Erro ainda é catarro na laringe…
Nasce o erro na garganta…
A cagada ainda me espanta mesmo sendo tentada…
Triste tristeza é a da merda que ainda sendo impermeável à mentira causa o mesmo espanto na verdade!
Algo mundano do butano sem tutano…
Podridão acéfala de membros amputados…
Filhos-da-puta copulando às vestes de filhos-da-pátria!
É ponto!

Humilde Pedantismo

Nossa…
Um suspiro de espanto…
Fossa…
O profano em pranto!
Sabido…
Punido!
Querido…
Vendido!
Amado…
Vencido!
Amando…
Ébrio!
Agora?
Não sei…
Se procura respostas, está no lugar errado…

Mediocridades reveladas, rimas estupradas…

Eu fiz, do mal que há em mim,
Soldo ao empenhado companheiro,
Recompensa à amada,
Resposta ao pai,
Reflexo à mãe…

Eu fiz, e faço, da bondade que há em mim,
Almejo
Desejo
Questão
Esperança…

Faço e fiz por mim…
Aos outros, uma sombra…
À mim, escuridão…

Não detenho todas as respostas, não mesmo.
Nem sequer perguntas…

Temo a vida mais que a morte…
Temo a sorte in cárcere…

Tenho sonhos, sólidos como rocha,
E tão gélidos quanto…

Tenho ilusões identificadas, queridas…
Mas não passam de alusões, desesperadas, incontidas…

Vejo o futuro, mas não me vejo nele…

O que há em mim?
Almejo
Desejo
Questão
Esperança…

O que eu sou?
Os outros…

Amor

Roma…

Solução Indigesta

Por mais que tentemos, nós,
Esconder-lhes nossas reais figuras,
Estamos a sorte, a sós,
De deuses, somente criaturas…
Falando em bem, escondemos do próximo nosso mal;
É julgando o mais fraco que mostramos nossa força;
Ensinando o certo, ludibriamos o aprendiz com o discurso do humano errante…
Demonstramos, ao futuro, com destemor sem igual,
Nossa estupidez, nosso carnaval…
O homem espera…
E por esperar sempre morto estará…
Enquanto conjugamos nossas vidas no futuro,
Nada de indicativo constrói-se em nosso presente sem mérito…
Obrigatoriamente, sempre seremos cativos no imperfeito do pretérito!

Primeira Impressão

E assim ela se foi…
Não para sempre, pelo que sei,
Mas em que consiste a eternidade, senão de hojes?
Se ela se foi, hoje, ela se foi para sempre.
Ela voltará amanhã…
Mas se o amanhã nunca chega,
Ela não voltará nunca.
A esperança me serve agora.
Só com ela é que eu consigo dobrar o infinito;
Só com ela é que eu consigo chegar o amanhã…
Ah! Que saudade…
Um suspiro, um cigarro… Um trago amargo de consciência…
No peito, a saudade; nos pés, a vontade…
No lábio, a prece…
Na cama, o vazio…
Aonde estão todos?
Aonde estou eu?
Não estou… Não estão… Não estamos!
Estive… Estiveram… Estivemos!
Mas… Estarei… Estarão… Estaremos!!

Profecia Elogiosa

II Tm.3:7 – “Que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.”

Cynos
Motrizes concupiscências …
Insolência usurpadora…
Joio!
Prenhez na casa seis-centenal!
Ignominiosos, putrefatos!
Ai de vós, pestilentes insones!
Em feita de vindita vereis a resistência!
Virá, sim, o axiomático!
Derribaremos as estruturas frágeis da Miragem!
Belicosos nos tornaremos!
DANÇAMOS À REVOLTA DAS MULTIDÕES!!
ALIMENTAMOS O FOGO DA IRA!!
PERECERÃO EM NOSSAS MÃOS OS PORCOS DE VIRTUDES VIS!
POIS ASSIM SOMOS NÓS, DEVORADORES DA INIQÜIDADE!!
IMPERADORES DAS SOMBRAS!! MANTENEDORES DO MISTÉRIO MÍSTICO!!
PRENDERAM-NOS NAS TREVAS ESPERANÇANDO NOSSA DESTRUIÇÃO. AI QUE RIO DE VÓS!!
VERÃO…

Sábado dezesseis…

Sábado dezesseis é assim, inesquecível, elevado…
Não como a primeira vez de uma donzela,
Mas algo indescritivelmente maior, neste mundo-mazela…
É como o carinho constante do ser amado…
Sábado dezesseis é dia de Belinismo ao Luar…
Dia dos rebentos carnavalizantes,
Da mometaneidade mais que excitante,
É dia de almoço e jantar…
Sábado dezesseis…
Quisera eu não houvessem números desta vez;
Quisera eu que o tempo não passasse assim tão impiedoso;
Quisera eu me encontar carcomido, idoso,
Ainda no sábado dezesseis…
Sábado dezesseis é isso:
Sumisso!

Que o mundo me julgue pelo meu egoísmo!
Que nos tomem por insanos,
Pois dançamos,
Mas todo dia é dia de Belinismo!

Inter-rogatório

Prostrado, indefeso,
Esquivo-me da sombra de mim mesmo.
Apesar de estar a esmo,
Passo pelo açoite ainda ileso…
Chegará um tempo,
Um dia, quem sabe,
Que não mais estarei intocado…
Um momento virá, e eu sei,
Em que a deterioração me atingirá.
Qual sombra será aquela que me cobrirá?
Será a escuridão cética,
Ou a cegueira dogmática?
Todo este tempo…
O silêncio de minha consciência me ensurdecerá?
Que grito darei quando descobrir que,
Eu mesmo, me calei?

ANÁLise

Me deu um aperto ANALítico!
Que desespero!
Corri, bati à porta…
Vazio…
Fui fezificar o mundo!
Antes ainda,
Liquefiz a fonte de vida cedo ingerida.
Que alívio!
A cada ofensiva à Deca que submergia célere,
Gotas anti-Newton me atingiam o pudor.
Ah…
A louça fria agora é quente…
Papel áspero lixa o demonstrador de medo…
Que vazio novamente!
Pensei alguns instantes com a mente ainda lerda,
E então me dei conta: estou escrevendo sobre merda!

Ilógica ao deus dos Homens

Se ser Deus é ser Luz,
E se ser iluminado é ser humilde,
Como pode deus ser Deus,
Se no paraíso não há trono para plebeus?

Se ser Deus é ser Amor,
Sem distinguir entre bons e maus - pois são quem são,
Como pode deus ser Deus,
Se mantém o Portador da Luz na escuridão?

Se ser Deus é ser paz,
E se paz é o oposto da guerra,
Como pode deus ser Deus,
Se deus é motivo de guerra,
Tanto no céu quanto na Terra?

Se ser homem é ser a imagem de Deus,
Somos  Homens! Somos a semelhança de deus!
Somos deus! Destronandos trevorosos guerreando em nome de deus pelo trono trevoroso dos plebeus!

mEU, Roedor!

Rato arisco!
Come minha emoção, minha ração poética;
Faz ruídos em minha cabeça, meu sótão abstrato;
Goza de mim ao me ver com a vassoura na mão, meu instrumento de “limfeza”;
E assim se vai, sem deixar pista… Seria O Rato um sofista?
Parece notar que não tenho coragem de usar veneno…
Eu sei que ele sente, em mim, a covardia em armar a ratoeira.
Talvez ele saiba, de fato, que eu me vejo nele: um rato!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.